O show estreia em São Paulo neste final de semana

Freddie Mercury Revisited | Foto: divulgação

Pouco mais de um ano depois da temporada do musical “We Will Rock You”, a dupla de protagonistas Livia Dabarian e Alirio Netto volta a interpretar canções do Queen, com releituras intimistas para piano, violão e voz. A estreia aconteceu em Nova York, no Triad Theater, em dezembro de 2016. Agora, é a vez de o casal soltar a voz no Brasil, em evento que será realizado neste sábado, dia 13 de maio, no Teatro Bradesco, em São Paulo. Paralelamente, Livia está em cartaz, no Rio de Janeiro, com o musical “Vamp” e Alirio lançou, recentemente, o seu primeiro álbum solo “João de Deus”, produzido por Edu Falaschi, mixado e masterizado por Tito Falaschi, com participação especial de Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli, Tiago Mineiro e Milton Guedes. Em bate-papo com Rockarama, a dupla contou detalhes sobre o novo show e um pouco da relação deles com algumas das músicas.

Como surgiu a ideia de fazer “Freddie Mercury Revisited”, que leva um pouco do que vocês viveram no “We Will Rock You”?
Livia Dabarian: A gente queria continuar cantando as músicas do Queen. Era impressionante ver a forma como as músicas impactavam o público. Foi muito especial. Todo dia a gente levava uma cena pra casa, ou a imagem de uma criança cantando “Bohemian Rhapsody” ou a mensagem das pessoas que vinham falar com a gente. Isso nos afetou de forma profissional e pessoal. Então, resolvemos criar esse show, produzir e dar o melhor da gente.
Alirio Netto: Quando a gente começou a conversar sobre o show a ideia era registrar as músicas de uma maneira mais íntima, o material bruto mesmo. Normalmente, em uma banda, o processo criativo é feito por meio de piano e voz ou violão e voz. Isso já faz com que a música fique íntima. Os grandes sempre dizem que se a sua música for boa ela vai funcionar da maneira mais simples possível. E foi exatamente isso que a gente fez.

Junior Carelli, Alirio Netto, Fernando Quesada e Lívia Dabarian | Foto: Danillo Facchini
Junior Carelli, Alirio Netto, Fernando Quesada e Lívia Dabarian | Foto: Danillo Facchini

Quais os principais desafios dessas adaptações?
Alirio: A música que funciona bem com piano e voz facilita. E é o caso do Queen, mas um coisa é a música tocada com uma banda completa, preenchida por baixo, guitarra, teclado, piano, várias vozes… Sendo assim, o que é preciso fazer? Reinventar a música. O piano ajuda porque é o único instrumento em que você consegue reduzir uma orquestra, por exemplo. Nele, você consegue reproduzir som de tímpano e de outros elementos que não têm em outros instrumentos. Isso já te dá um suporte muito bom. Mas como resolver uma música como “Radio Ga Ga” ou “A Kind of Magic”, com som de guitarra, bateria, tudo? Pegamos as músicas e fizemos as versões para piano primeiro, já dividindo as vozes e incluímos o violão. Temos no espetáculo os músicos Fernando Quesada e Junior Carelli, ambos das bandas Shaman, Noturnall e Anie. Fizemos um bem bolado pra que sempre que um fizesse a parte rítmica o outro fizesse a harmonia. Além disso, o Fernando toca cajón muito bem. Teremos esses elementos. As músicas às vezes são preenchidas com duas vozes, quatro vozes, violão, cajón, tem uma música em que toco piano e o Juninho violão. A Livia toca um pandeiro também. Fizemos um bem bolado pra criar os elementos percussivos que faltavam para preencher as músicas com piano/violão e voz. Como as músicas são muito fortes, a gente tem certeza que esse show vai dar muito certo porque o fato de não ter tantos elementos faz com que a música chegue de uma maneira mais viva, mais clean. É possível perceber as nuances. Essa é a premissa do show: reinventar por meio desses instrumentos e criar essa intimidade. Quero que as pessoas que estiverem no teatro se sintam na sala da casa delas ou na sala da nossa casa ou na do Freddie Mercury.
Livia: O bom da versão intimista é que é mais fácil você lembrar da sua própria história, você escuta a música e ela te faz lembrar de situações da vida, resgatar memórias. E isso a gente também sente quando está cantando.

Falando nisso, Alirio, você se tornou cantor por causa do Freddie… é isso mesmo?
Alirio: O primeiro disco que comprei na vida foi do Queen. Então, a banda sempre esteve na minha vida. E quando assisti aquele momento antológico, da execução de “Love Of My Life” no Rock in Rio, em 1985, a minha vida mudou. Vi pela TV, porque eu era muito pequeno, tinha 9 anos, mas assistir aquilo me emocionou demais. Pensava: como essa cara consegue fazer meio milhão de pessoas cantar a mesma coisa que ele? Fiquei hipnotizado com aquela imagem, com o som daquela voz e com aquela energia toda. A partir daquele momento, descobri o que eu deveria ser. Freddie me deu uma carreira. Era tão genuíno o que ele fazia que eu queria aquilo pra mim. Demoraram mais alguns anos pra que eu pudesse colocar esse projeto em prática, mas à princípio foi esse momento antológico que me despertou.

E que responsa interpretar o Freddie… não é pra qualquer um.
Alirio: É um presente. A gente tem que ser grato à vida, a todas aquelas coisas que ela põe no nosso caminho. E interpretar essas músicas, respeitando, com certeza, o ícone que é o Freddie Mercury, é um privilégio. Ganhei na loteria. Cada dia que saio de casa para fazer isso, saio para me divertir e para ser aquilo que sou, para exercer aquilo que sou.
Livia: É uma responsabilidade muito grande. Ouvia todas essas músicas na minha adolescência. Marcaram minha vida. “The Show Must Go On”, por exemplo, é muito importante pra mim. Assim como é para milhares de pessoas. É uma responsabilidade e um prazer muito grandes.

Livia Dabarian e Alirio Netto voltam a interpretar canções do Queen com "Freddie Mercury Revisited" | Foto: Danillo Facchini
Livia Dabarian e Alirio Netto voltam a interpretar canções do Queen com "Freddie Mercury Revisited" | Foto: Danillo Facchini

Outra música especial para vocês é “Who Wants to Live Forever” que fez você se aproximarem de maneira mais “íntima” do Brian May, de certa forma.
Livia: Isso. Indiretamente. A gente recebeu um e-mail do Brian May, com o nosso nomezinho lá, falando: “Livia, Alirio, tá aqui a história da música”. A gente chorava. O Alirio, então, parecia uma criança! (risos). A gente estava ensaiando para o “We Will Rock You” e nos pegamos com a parte da letra em que diz “This world has only one sweet moment set aside for us”. Em um musical jukebox, tentamos dar uma intenção para o que a gente está falando dentro do contexto da história. É sempre um desafio encaixar a letra numa história que está sendo criada naquele momento. E com essa música, a gente estava com dificuldade. Então, o Stuart Morley (supervisor musical do espetáculo) mandou um e-mail para o Brian perguntando sobre o insight da letra de “Who Wants to Live Forever”, e ele respondeu com todo carinho contando que era sobre o relacionamento com a ex-esposa e que mesmo que ele tivesse que escolher passar por tudo o que passou, pela dor do final do casamento, ele teria escolhido ter vivido com ela para viver essa paixão. Só que escutar isso do Brian May é especial. É um insight de um dos maiores compositores.

E é muito íntimo…
Livia: Muito íntimo! E além de tudo foi uma música muito especial pra gente, que era o turning point dos nossos personagens, e também foi o nosso turning point. Foi quando a gente passou de uma amizade super bacana, de uma parceria nos ensaios, para alguma coisa a mais. A gente se olhou e falou: “O que está acontecendo aqui? Tem alguma coisa acontecendo” (risos). Foi nesse momento que tudo aconteceu.

Que outras músicas vocês destacariam que estão no show?
Alirio: Do meu ponto de vista, acho que o show inteiro tem essa coisa… porque a gente tem momentos mais opostos dentro do show e momentos mais intimistas. E isso faz parte da dinâmica que é o ser humano. O coração não bate sempre no mesmo ritmo. Se você está mais acelerado, ele vai acelerar um pouco mais; se você está mais tranquilo, ele também vai se adaptar a essa nova realidade. Acho que é essa dinâmica, que já existe dentro do ser humano, que faz com que a gente curta cada momento como se fosse único. E tem canções que as pessoas estão acostumadas a ouvir com voz masculina e que a Livia chega chegando – como em “Crazy Little Thing Called Love”, que foi feita em homenagem ao Elvis. Fica algo muito diferenciado, que tem a cara dela, como outras músicas que a galera vai curtir. E a gente vai ter convidados…
Livia: A gente queria chamar pessoas que realmente tinham a ver com a nossa trajetória, com a nossa história e que amam Freddie tanto quanto a gente. Então, chamamos Felipe de Carolis, que fez o personagem Toca em “We Will Rock You”, e a Kiara Sasso que é nossa amiga do coração. Além disso, o Lázaro Menezes, marido dela, está dirigindo o show com a gente. A Kiara vai cantar também, e o Tony Lucchesi, que é diretor musical e pianista maravilhoso, diretor musical do “Vamp”, também vai fazer uma participação.

Além da estreia amanhã, dia 13 de maio, terão outras apresentações?
Livia: Por enquanto é apresentação única, mas a gente já tem algumas possibilidades de outras datas. Estamos com uma parceria com a Poladian Produções, que é uma produtora mega e que se interessou muito pelo show. Aguardem novidades.

"Freddie Mercury Revisited" estreia dia 13 de maio em São Paulo/SP | Foto: Danillo Facchini
"Freddie Mercury Revisited" estreia dia 13 de maio em São Paulo/SP | Foto: Danillo Facchini

Veja a versão de Under Pressure – por Alírio Netto, Lívia Dabarian, Fernando Quesada e Junior Carelli

Quero que as pessoas que estiverem no teatro se sintam na sala da casa delas ou na sala da nossa casa ou na do Freddie Mercury” – Alirio Netto

Serviço “Freddie Mercury Revisited”:
Data: 13 de Maio de 2017
Local: Teatro Bradesco – Rua Palestra Itália, 500 – Perdizes, São Paulo/SP
Horário: 21h
Preços: R$30,00 a R$ 190,00
Vendas: www.ingressorapido.com.br
Informações: www.poladian.com.br
Duração: 90 minutos
Classificação etária: Livre

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