Visita a uma emissora de rádio

“É um baixo ou uma guitarra”, me perguntou uma jovem mulher enquanto eu entrava no bonde, e ela descia, em Sörnäinen. “Uma guitarra”, respondi

As portas do bonde se fecharam com um entusiasmado “ok!” da moça, enquanto eu e minha guitarra nos sentávamos na janela. Naquele dia tive uma entrevista na rádio Spirit FM e toquei três músicas ao vivo.

Não fazia muito tempo desde a minha viagem à loja de guitarras. Roni e eu nos encontramos três vezes para ensaiar, o que não foi muito. Mas era o suficiente para que eu soubesse que estaríamos prontos para mostrar algo belo naquele dia. Na segunda-feira anterior, quando Roni deixava o meu prédio depois do ensaio, a moça da limpeza estava no térreo e disse para ele: “muito bonita a música, obrigada!” – uma brincadeira que, além de nos elogiar, deu a entender que todo o prédio não teve outra escolha a não ser nos ouvir tocando! Não gosto de saber essas coisas, pois me deixa tímida, e quando estou assim não consigo mais cantar. Por outro lado, fico feliz em saber que passamos vibrações bonitas para aquela moça.

Uma mensagem de texto me chamou a atenção enquanto eu sonhava acordada olhando pela janela. Era Silke dizendo que me esperava na frente do prédio. Ok, já estava lá. Naquele dia a minha querida amiga tinha concordado em nos filmar durante a apresentação. Fiquei muito feliz que ela estaria lá conosco.

Bulevardi 10 visto por Vanha Kirkkopuisto | Foto: arquivo pessoal
Bulevardi 10 visto por Vanha Kirkkopuisto | Foto: arquivo pessoal

Com o bonde continuando sua rota entre Mannerheimintie e Bulevardi, me levantei e fui para a porta. O céu estava cinzento em Vanha Kirkkopuisto. Atravessei a rua e encontrei com Silke e Roni, que tinha acabado de chegar. Estava na hora; vamos.

“Olá e sejam bem vindos à nossa rádio! O James estará logo com vocês. Por favor aguardem nessa sala. Querem algo para beber?”. Uma moça gentil, lugar aconchegante e fotos divertidas na sala de espera.

A parede de foto da Spitit FM's | Foto: arquivo pessoal
A parede de foto da Spitit FM's | Foto: arquivo pessoal

Logo em seguida, James chegou até nós, se apresentou e o seguimos para a sala onde a ação aconteceria.

Estou ciente que o mundo da performance musical sempre tem surpresas guardadas para você. No meu caso, aconteceu logo antes de começarmos a entrevista. Faltando dois minutos, para ser precisa, quando precisei tomar um pouco d’água. Desci da minha cadeira, deixei a guitarra no chão e fui até uma mesa próxima.

“Dois minutos”, disse James.

Peguei meu copo, voltei para a cadeira e… acidentalmente pisei na mão da minha guitarra, ruinando completamente a afinação de duas das cordas.

“Um minuto e trinta segundos!”

Rapidamente comecei a afinar novamente o instrumento, e senti que o Roni dava um olhar preocupado para mim.

“Um minuto!”

Uma corda afinada, próxima.

“Trinta segundos!”

… Pronto!

– Eilera está aqui conosco hoje na Spirit FM! Olá Eilera, seja bem vinda…

– Olá!

E lá estávamos nós. Eu tinha passado no primeiro teste do autocontrole.

Mesa e microfone vistos pelo lado do James | Foto: arquivo pessoal
Mesa e microfone vistos pelo lado do James | Foto: arquivo pessoal

Suavemente a entrevista foi rolando, mesmo sendo um desafio interessante alternar o falar e o tocar, cantando três vezes. Foi um bom exercício! Como sempre, achei que poderia melhorar a minha performance – mas não adianta, é parte do meu DNA.

A primeira música, “Angel Made Temptress”, do mais recente álbum; tocada. A segunda, “Fusion”; tocada.

E para finalizar, “Into The Sea”, tocada juntamente com arranjos de cordas que gravamos na primeira sessão do “Face Your Demons”, no Finnvox Studio, com um quarteto de Helsinque. Cantar junto com um quarteto de cordas é como sentir um pedaço do céu que eu teria construído para mim.

Durou pouco menos que uma hora. É engraçado como uma hora pode parecer tão curta ou tão longa, dependendo do que você está fazendo.

Roni partiu para casa, ele estava doente, assim como a Silke – toda Helsinque parecia estar gripada naquele dia. Fiquei pensando quando a minha vez chegaria.

No entanto, Silke e eu decidimos parar para um café. Entramos no Café Briossi, em Kalevankatu, e agradeci minha amiga com a bebida e muffin.

Café Briossi | Foto: arquivo pessoal
Café Briossi | Foto: arquivo pessoal

Eu gosto desse local. Nele, colocaram fotos famosas em preto e branco penduradas nas paredes, como aquela de um homem almoçando em cima de um prédio. E perto dessa tem uma outra, do Café de Flore. Os trabalhadores de Nova York e artistas de Paris dos anos 30 estão reunidos em 2017, numa parede em Helsinque.

NYC e Paris nos anos 30: fotografias na parede do Café Briossi | Foto: arquivo pessoal
NYC e Paris nos anos 30: fotografias na parede do Café Briossi | Foto: arquivo pessoal

Eles tinham uma foto de Marilyn numa parede próxima, me lembro bem. Uma de uma série que foi fotografada em preto e branco em Nova York, sabe qual é? Sempre que vejo uma dessas fotos de Marilyn, fico pensando sobre beleza, como isso pode assustar, impactar, algumas pessoas e o quanto absurdo é temer algo assim. Porque se essas pessoas entendessem sobre beleza genuína, saberiam que ela não busca poder, mas amor.

Marilyn em NYC | Foto: reprodução
Marilyn em NYC | Foto: reprodução

Bom, era hora de voltar pra casa. Tive um dia rico e cheio de excitação, estimulando a minha mente e sentidos, e sabia que seria difícil dormir à noite. Isso é o que acontece quando o meu cérebro e sentidos são superestimulados… “Pessoas altamente sensíveis”, é assim que a ciência chama gente como eu hoje em dia.

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