O fundador do Hellhammer e Celtic Frost chega ao Brasil pela primeira vez com o Triptykon, preparando um set especial e muita história

Triptykon | Foto: Christian Martin Weiss

Não é fácil carregar o peso de ser um ícone, de ter pavimentado o caminho de diversos gêneros dentro do metal. Por isso, Thomas Gabriel Fischer optou por apenas seguir seu caminho, sem olhar para os lados. Muito se falou de como sua carreira com o Celtic Frost foi errática e de como os conflitos internos levaram um dos grupos mais vanguardistas da história do metal a patinar dentro de suas próprias relações. Na verdade, Fischer – ou Tom Warrior, nome que voltou a adotar – nunca negou esse fato. É um artista no sentido mais puro da palavra, que não esconde seus erros, mas que jamais fez concessões. Isso é um tanto estranho de conceber, principalmente se levarmos em conta álbuns como “Cold Lake” (1988), que o próprio renega. De toda forma, mesmo em suas fases mais problemáticas, Warrior sempre foi ele mesmo, para o bem e para o mal. E, agora, sem seu grande parceiro Martin Eric Ain, ex-baixista e letrista do Hellhammer e Celtic Frost que faleceu em outubro do ano passado, o compositor, guitarrista e vocalista precisa enfrentou seus próprios demônios sozinho. Para isso, conta ao menos com a ajuda do line-up de sua banda mais recente, o Triptykon, o mais estável que já trabalhou. É toda essa história que os fãs terão o prazer de ver e ouvir pela primeira vez no Brasil. Expectativas? Apenas por parte dos fãs. Warrior é o artista em modo natural, como nos mostra na entrevista a seguir. Resta-nos apreciar.

Tom Warrior | Foto: Christian Martin Weiss

O promotor pediu um set baseado o máximo possível em Hellhammer e Celtic Frost. Logo, isso é o que tocaremos nos quatro shows, para sermos justos com todos os fãs” – Tom Warrior

Essa será sua primeira vez na América do Sul. O que sabe sobre os fãs latinos e, em especial, os brasileiros? Qual sua expectativa para esses shows?
Tom Warrior: Sim, essa será nossa primeira vez na América do Sul e isso inclui o Celtic Frost. Eu nunca penso em nossos shows com nenhuma expectativa além de esperar que nossa banda e equipe sejam profissionais, é claro. Depois de 36 anos na indústria, eu só chego ao show e deixo as coisas acontecerem do jeito que têm que acontecer.

Ainda em relação em ser sua primeira visita ao Brasil, pensa em fazer algo especial no setlist ou irão manter o que já estão apresentando em outras partes do mundo?
Warrior: O setlist será bem único. Nunca fizemos um set assim antes. Os shows do Triptykon na América do Sul estão acontecendo porque originalmente fomos convidados para tocar no festival “Evil Confrontations” no Chile. O promotor pediu um set baseado o máximo possível em Hellhammer e Celtic Frost. Logo, isso é o que tocaremos nos quatro shows, para sermos justos com todos os fãs.

Há uma unidade muito grande entre os álbuns “Eparistera Daimones” (2010) e “Melana Chasmata” (2014), algo que já vinha desde “Monotheist” (Celtic Frost, 2006), mas que agora no Triptykon está ainda mais maturado. O próximo trabalho será na mesma linha? Já possui algo pronto?
Warrior: Com certeza seguirá a mesma linha e sim, já estamos trabalhando nele.

Triptykon | Foto: Christian Martin Weiss

Nunca procuro influência do Celtic Frost em outras bandas. Isso seria um absurdo e minha personalidade não é assim. Componho o que está dentro de mim” – Tom Warrior

Ainda sobre “Monotheist”, o álbum foi uma grande surpresa não apenas em relação aos trabalhos anteriores do Celtic Frost, mas a quase tudo que estava sendo feito no metal à época. Todos queriam soar extremos e velozes, bebendo nos álbuns antigos do grupo, mas vocês vieram lentos e ultrapesados. Mais de 10 anos depois, podemos ver mais grupos indo pelo caminho que você traçou em 2006, igual fizeram com os trabalhos antigos. Você consegue enxergar isso? Fazer algo diferente é algo que você, como artista, se sente obrigado a fazer?
Warrior: Cada um dos álbuns do Celtic Frost foi diferente dos outros. Logo, “Monotheist” foi um álbum bem típico da banda e nem um pouco surpreendente. Eu nunca procuro influência do Celtic Frost em outras bandas. Isso seria um absurdo e minha personalidade não é assim. Pessoalmente, só componho o que está dentro de mim e nas minhas emoções. Não me “forço” a fazer nada, faço exatamente o que parece natural para mim.

Levando em conta sua carreira com Hellhammer e Celtic Frost e os problemas que enfrentou com constantes mudanças de formação, o Triptykon mantém a base de seu line-up basicamente desde que se formou. O quanto isso é importante para você e como isso influencia em sua arte?
Warrior: Isso é extremamente importante e é por isso que formei o Triptykon com essas pessoas especiais. Não é uma influência direta na minha composição, mas uma formação que muda constantemente sempre afetará uma banda negativamente em vários níveis.

Em 2008 vocês lançaram “Demon Entrails”, com as demos do Hellhammer. Como foi pra você revisitar esse material? O quanto do que você pensava sobre arte nessa época ainda continua com você no Triptykon?
Warrior:
Foi muito bom e muito necessário revisitar essas músicas. É a base do caminho que busquei por toda minha vida e formatou tudo o que sou. O Triptykon, para mim, é uma evolução muito direta e natural disso, talvez ainda mais do que o Celtic Frost, na minha opinião.

Tom nos tempos de Hellhammer | Foto: Martin Kyburz

Infelizmente, o Celtic Frost era profundamente falho em um nível pessoal. Qualquer outro grupo teria administrado de forma mais madura e profissional” – Tom Warrior

A reunião do Celtic Frost foi breve, mas muito intensa. Os problemas que levaram ao fim do grupo foram bem explicitados, inclusive em um documentário, mas principalmente em seu blog. Olhando hoje, acha que esse final foi o único possível para um grupo tão intenso quanto foi o Celtic Frost?
Warrior: Para o Celtic Frost, com certeza foi. Infelizmente, a banda era profundamente falha em um nível pessoal. Qualquer outro grupo teria administrado de forma mais madura e profissional.

Após o passamento de Martin Ain, você escreveu que sempre compunha pensando nele e nas reações que ele teria, mesmo após o término do Celtic Frost. Já compôs algo após seu falecimento? Se sim, continua pensando nele ou terá que mudar sua forma de criar?
Warrior: Eu compus algumas coisas para o Triptykon e muita coisa para meu projeto paralelo desde sua morte e ele é uma parte constante do meu pensamento durante o processo. Isso nunca irá mudar até o dia em que eu morrer.

Show do Triptykon em São Paulo | Imagem: divulgação
Show do Triptykon em São Paulo | Imagem: divulgação

Triptykon em São Paulo:

Data: 25 de maio (sexta-feira)
Horário: Portas 21h / Show 23h
Local: Carioca Club
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros – São Paulo/SP
Classificação etária: 18 anos
Ingressos: www.clubedoingresso.com
Site relacionado: freepass.art.br

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