O baterista Deen Castronovo falou sobre o novo álbum do Revolution Saintsa, além de Bad English, de seus problemas pessoais e de vocalistas do Journey

Revolution Saints | Foto: Johnny Pixel

Não é sempre que a vida nos proporciona uma segunda chance. Se você joga fora uma grande oportunidade, corre o risco de ela nunca mais aparecer. O baterista americano Deen Castronovo, que fez sua estreia com Wild Dogs em 1983, conheceu fama e fortuna tocando em várias bandas, chegando ao número 1 das paradas com o Bad English. Além disso, foi, durante anos, nada menos que o baterista do Journey, de Ozzy Osbourne e muitos outros. Isso até que seus problemas pessoais o jogaram na prisão e tudo quase se acabou. Porém, no caso dele, a vida resolveu estender a mão e Castronovo a pegou com toda força para formar o Revolution Saints e agora atuar também como vocalista. Para falar sobre tudo isso que o ROCKARAMA bateu um papo, que variou entre emocional e bem humorado, com ele.

Qual a diferença de estar atrás na bateria, como era no Journey, e agora estar na frente como vocalista?
Deen Castronovo: É intimidador. Fizemos nosso primeiro show em Milão (ITA) no Frontiers Music Fest, em abril. Senti-me muito intimidado no começo, mas depois fui me acostumando. Comecei cantando na bateria e depois fui para frente e meu amigo Steve Tooney (N.T.: roadie de bateria de Deen) foi para bateria. Fiquei bem nervoso no começo, mas saiu tudo bem. Eu sabia como não seria: Arnel (Pineda, atual vocalista do Journey) é um frontman espetacular; ele consegue correr para todos os lados, fazer o que ele faz e ainda cantar muito. Eu sei que esse não sou eu. Então, fui seguindo o fluxo do show e ficou bem legal, já que foi a primeira vez na minha vida que fiz isso. Fiquei bem feliz. Depois do primeiro show, foi um alívio, quando consegui fazer o segundo também, aí comecei a ter aquela vontade de fazer mais.

Revolution Saints - Light in the Dark

As músicas eram composições de Alessandro Del Vecchi e vimos que seria algo bem similar ao primeiro álbum. Doug as pediu para rearranjar colocar a sonoridade dele ali” – Deen Castronovo

E é mesmo um pouco diferente, porque apesar de você ter cantado como vocalista em algumas músicas no Journey, se não me engano, “Mother, Father”…
Castronovo: “Mother Father”, “Still They Ride”…

Isso, mas, mesmo assim, você ainda estava no seu kit, escondido atrás dos pratos, o que é diferente de estar na frente e ali no centro.
Castronovo: Ah sim. Cantar para mim não é o problema, faço isso desde que tenho uns 11 ou 12 anos. É uma coisa natural. E eu gosto de ter aquele monte de coisas na minha frente. É como se ali fosse a minha fortaleza e ninguém pode entrar. Ficar ali exposto para o público é bem diferente, exige outro tipo de coragem.

Você mencionou que o primeiro show foi em abril desse ano, mas o primeiro álbum saiu em 2015. Existe alguma dificuldade para cair na estrada? Doug (Aldrich, guitarra) está no Dead Daisies e Jack (Blades, baixo) no Night Ranger. É difícil conciliar as agendas para que possam se juntar para uma sequência de shows?
Castronovo: Muito. Todos sabíamos logo de início que Jack tem o Night Ranger, que é a vida dele e claro que tem que ser a prioridade. Entendo completamente. E a prioridade de Doug é o Dead Daisies, o que eu também entendo. Temos as esperança que quando tudo contribuir vamos conseguir fazer alguns shows. Estamos muito empolgados para fazê-los, só temos que nos certificar que as agendas estejam em sincronia. Para mim, essa é prioridade, não tenho mais nada no momento. Vou fazer de tudo para dar certo. Se der, maravilhoso, se não, vou procurar trabalho! (risos)

O primeiro álbum do Revolution Saints é muito bom, mas há músicas compostas por integrantes da banda Eclipse, como “How to Mend a Broken Heart”, e houve muito envolvimento do selo. Foi tipo um supergrupo que a Frontiers montou. Fale sobre o segundo álbum. Quanta liberdade você teve para compor e controlar a sonoridade e as músicas?
Castronovo: Olha, todos nós tínhamos a esperança que íamos entrar em um estúdio e compor juntos como uma banda. Assim que começamos a conversar sobre o segundo álbum, já uns três ou quatro meses de trabalho, nosso engenheiro de som apareceu com umas músicas que a gravadora tinha aprovado. Nós dissemos: “Espere aí, era para nós compormos juntos.” Foi tudo muito confuso porque havíamos reiterado que queríamos fazer parte do processo, queríamos compor. Bem, ouvimos as músicas que nos trouxeram, que eram composições de Alessandro (Del Vecchio, tecladista e produtor) e vimos que seria algo bem similar ao primeiro álbum. Aí foi Doug que se apresentou e pediu as músicas para ele rearranjar e basicamente, colocar a sonoridade dele ali. E graças a Deus que ele fez isso, porque as músicas soavam como demos. Então, ainda bem que Doug conseguiu-as, trabalhou nelas antes que estivesse tudo terminado e pode colocar sua marca nelas. E isso significa muito, já que, no final das contas, Doug é a sonoridade do Revolution Saints.

Revolution Saints | Foto: Johnny Pixel

Apesar de termos colocado um pouco mais de nossa personalidade nesse novo, no próximo álbum vamos nos juntar, trancar a porta e compor!” – Deen Castronovo

Por que o selo não confiaria em vocês três para produzir material para seu próprio álbum? É isso mesmo?
Castronovo: Sim. Eu não entendi o porquê, assim como você. Nós três achávamos que íamos compor. Quando as músicas chegaram para nós, pensamos: “Ok, esse é de novo nosso som”. Tudo bem, era só envolver mais o Doug e eu também. Eu ia insistir com eles para pelo menos me deixarem dar uma olhada nas letras e ver se havia algo que precisava ser mudado. Ver se sequer seria algo que eu achava. Assim, uma vez que entramos no estúdio, e pegamos as letras, eu olhei e falei para o Alessandro que iria mudar algumas coisas ali. Durante esses dois anos que fiquei afastado, nós [Deen e Alessandro] conversamos sobre onde estavam minha cabeça e meu coração. E devo ser honesto, ele conseguiu. Quando olhei as letras, fiquei impressionado porque falava realmente sobre tudo o que passei. Ele conseguiu transmitir a mensagem de forma incrível. Para um cara que escreveu aquilo sem ter um conhecimento real do que estava acontecendo, só de falar comigo, a cabeça e o coração dele se abriram para o que eu estava passando. Então, depois que eu li as letras, mudei algumas poucas coisas, mas fora isso, ele acertou em cheio. Isso foi muito legal, fiquei impressionado. Mas acho que essa é forma de Alessandro ser, ele tem uma sensibilidade emocional, com a qual conseguiu sentir o que eu estava sentindo. Sabia por o quê eu estava passando, porque como eu disse, tivemos umas conversas longas e profundas sobre tudo e sobre o que eu queria fazer com o projeto. Então, mudei um verso ou outro e uma palavra ou outra. Mexi nas coisas, mas provavelmente 70% de tudo é do Alessandro.

Dado ao fato de que não foram vocês que compuseram, “Light in the Dark” é um ótimo trabalho, as músicas são muito boas, assim como as performances. Ainda assim, me faz imaginar o quanto seria melhor se vocês tivessem se trancado em um chalé em Utah e decidissem sair de lá com dez músicas…
Castronovo: Sim, nós poderíamos ter feito isso. Temos o magistral Jack Blades; olha as músicas que ele já compôs! Acordem, há uma máquina de hits ali ao meu lado tocando baixo. E mais Doug Aldrich, outro ícone do rock na minha opinião. E ele sabe compor. Nós conseguiríamos e acho que se e quando nós fizermos outro, vamos forçar um pouquinho mais para termos certeza que iremos compor cada vez mais dessas músicas. Acho que o primeiro álbum foi como você disse, um supergrupo em que cada um só fazia a sua parte, que eles preparavam. Claro que demos nossos toques, mas… Nesse novo álbum, eles fizeram de novo, compuseram tudo, mas Doug precisou colocar sua marca nelas, mexer um pouquinho. E ele é incrível. Estava no Japão, regravando essas músicas dentro do trem bala, enquanto estava em turnê com o Dead Daisies! Isso mostra o quão comprometido é Doug. E quando recebemos as músicas, ele as tinha feito ganhar vida, soavam muito melhor. Fiquei muito feliz por ele ter assumido essa responsabilidade num período em que estava tão ocupado e ainda assim conseguir fazer de forma incrível. Esse cara é uma força da natureza. Apesar de termos colocado um pouco mais de nossa personalidade nesse novo, no próximo álbum vamos nos juntar, trancar a porta e compor!

Em 16 de setembro de 1989, apareceu uma música no rádio intitulada “When I See You Smile” de uma banda chamada Bad English…
Castronovo: Irmão, que grande música. Da Diane Warren. A rainha. (risos)

Ela é, definitivamente, a rainha das composições. Olha, se a gravadora a tivesse trancado num lugar e a mandado compor 10 músicas para o Revolution Saints talvez não tivéssemos a conversa que acabamos de ter!
Castronovo: (risos). Teria sido uma ótima ideia. Você sabe tão bem quanto eu que Diane Warren é uma máquina de hits. Seria legal.

Esta música levou você e John Waite, que tinham uma boa carreira, para outro nível.
Castronovo: Sim, quando recebemos essa música e John a estava ouvindo, ele tinha suas reservas, é claro. Porque John é um vocalista honesto e verdadeiro de blues. E é muito emocional e sincero. Então, quando ele ouviu, ele não sabia o que fazer com aquilo. Mas quando ele se concentrou e foi com tudo… Eu me lembro quando ela chegou ao número 1, ele virou para todos nós e disse: “Quero que vocês todos saibam de uma coisa: fui eu que fiz essa música vender!” E nós respondemos: “Foi mesmo!” (muitos risos). Isso foi outra coisa importante: ele transformou a música em algo dele. Não tinha nada a ver com o que ele fazia e não estava muito confortável com aquilo, mas ele deu vida à música. John Waite é incrível, outro desses. Você tem ideia de como sou abençoado? Meu Deus, trabalhei com os maiores e melhores. John transformou a música.

Deen Castronovo | Foto: Jeff Allen

Quando tudo aconteceu, eu pensava que não só havia decepcionado Neal [Schon], mas John [Waite], meus empresários e todos os fãs” – Deen Castronovo

Transformou mesmo. E o que é esse projeto que Neal vem tweetando e falando no Instagram, que tem você e John numa banda mais estilo blues ou pelo menos uma de rock mais diferente? O que é isso, o quão próximo está de se tornar realidade?
Castronovo: Ainda estamos no estágio de conversas. Neal me mandou um e-mail dizendo que havia falado com John Waite e que talvez fizessem um projeto de blues e perguntou se eu topava. Eu disse: “Não, Neal, não topo” (risos). É claro que sim! Então, ainda estamos conversando, mas assim que eles resolverem o que vão fazer, vamos oferecer para alguns selos e ver se há interesse. E, nossa, isso seria incrível. Mas vou vivendo um dia de cada vez, analisando o que o presente me mostra e hoje estou focado no Revolution Saints. Quando eles decidirem que vão fazer mesmo, iremos em frente e vou entrar no “modo” John Waite/Neal Schon. Isso foi a melhor coisa que aprendi durante a minha recuperação (N.T.: Deen teve sérios problemas com drogas e chegou a ser preso e solto sob condicional de 4 anos devido à acusações de agressão e estupro de sua própria esposa): um passo por vez, sem exagerar nas obrigações, para não ficar sobrecarregado. Porque quando eu fico sobrecarregado, começo a pirar. É bom relaxar e deixar isso ficar de lado. É uma possibilidade, mas por enquanto vamos focar no agora e no Revolution Saints. E sou abençoado de ainda manter um relacionamento com Neal. Foi ele quem me deu o empurrão inicial, me encontrou. Devo muito a ele. Devo tudo a nele. Ele e (produtor) Mike Varney. Onde Neal quiser que eu vá, eu vou. É um cara confiável e um músico maravilhoso, eu o conheço desde meus 23 anos. É quase como Alex e Eddie Van Halen. Nós nos completamos musicalmente e pensamos de forma muito similar.

Deixe-me perguntar uma coisa mais pessoal: quando aconteceu aquilo com você e tudo saiu do controle, em algum momento você parou e disse: “Meu Deus, eu decepcionei o Neal.” Ele é um daqueles que é mais do que um companheiro de banda? Você pensou: “O cara me descobriu, tocamos no Hardline, Bad English e Journey e olha o que eu fiz com a banda dele?”
Castronovo: Acertou em todas. É claro que sim. O que você acha? Quando tudo aconteceu, eu pensava que não só havia decepcionado Neal, mas John, meus empresários e todos os fãs. Meu Deus! Eu manchei um legado maravilhoso. E foi isso que me machucou mais. Algo tão bonito, grande e incrível e coloquei uma cicatriz em mim mesmo, na minha carreira e no meu legado. E é provavelmente isso que mais me incomoda. Eu trabalho com muita culpa todos os dias. E isso é algo com que eu tenho que conviver diariamente. Tenho que achar uma forma de superar com a consciência de aquilo passou e hoje sou um homem diferente. Foi algo horroroso o que aconteceu, mas sou grato todos os dias por ainda estar vivo, ter minha esposa, meus filhos e meus netos. E ainda posso tocar e cantar… Obrigado a Serafino (Perugino, dono da Frontiers Records) por me dar mais uma chance.

Quando se passa por um evento dramático há sempre o momento de sentir culpa e negação. Houve algum momento em que Neal disse que não queria mais ter nenhuma ligação com você, estava furioso e que era para deixá-lo em paz?
Castronovo: O que aconteceu foi que o modo como Neal lida com essas coisas é simples: ele para de falar com você. E aí você percebe. Ele está puto, chateado, magoado, irritado. E eu entendi. Não levei isso para o lado pessoas. Percebi que ele estava certo. E nós somos muito próximos, como irmãos. Então, para as coisas chegarem a esse ponto, eu sabia o que estava acontecendo. Percebi que eu o havia chateado muito e sabia que teria que esperar um tempo. Pedi a Deus para nós voltarmos a ter um relacionamento mesmo que apenas pessoal, era só isso que eu pedia. E aconteceu. Demorou um pouco, mas foi o tempo necessário, porque foi ele que entrou em contato comigo. E estava muito preocupado. Começamos a conversar e ele me perguntou como eu estava, como me sentia, se estava bem, como estavam as coisas entre eu e Deidra [N.R.:esposa de Deen], se havíamos acertado as coisas. Ele se preocupara com meu bem-estar.

E ele nem mencionou as questões profissionais, o que é bom.
Castronovo: Sim, foi uma coisa de irmão para irmão. E foi assim por um ano e meio. Aí sim começamos a falar assuntos profissionais e ele perguntou o que eu achava de fazer algo. Uau! Em primeiro lugar, obrigado por sequer pensar em mim, em segundo, não vou te decepcionar e número três, é só me ligar que eu faço qualquer coisa. Eu toco com você na hora que quiser. Aí esse projeto apareceu e inclusive fizemos algo há algumas semanas atrás que eu não posso revelar (risos). E eu só estava pensando em ter meu amigo de volta. Nem me importava se jamais tocássemos juntos de novo, pelo menos tinha meu irmão de volta. Nós somos muito próximos.

Bad English | Foto: divulgação

Eu estava em Detroit fazendo uma clínica de bateria quando Neal me ligou um pouco antes de eu começar a aula e disse: ‘O Bad English acabou'” – Deen Castronovo

Em termos do álbum do projeto de blues, alguns fãs podem pensar: Neal, John, Deen e, claro, há Jonathan Cain, com quem a convivência com Neal hoje em dia… Nem vamos entrar no mérito, mas, por que não uma reunião do Bad English?
Castronovo: O problema é que houve muitos danos quando o Bad English acabou. Eu nem sei todos os detalhes do que realmente aconteceu, porque eu era meio que um pistoleiro de aluguel naquela banda. Só estava grato por estar lá. Então, eu não tinha acesso ao lado dos negócios. Eles só me avisavam que hora eu tinha que estar pronto para sair. Não sabia nada além disso. Eu estava em Detroit fazendo uma clínica de bateria quando Neal me ligou um pouco antes de eu começar a aula e disse: “O Bad English acabou”. Eu fiquei sem ação e ele me disse que ia seguir em frente, fazer algo novo e ia me levar com ele. Eu disse que iria para onde ele quisesse e esse foi o início do Hardline.

Isso, foi o Hardline. Eu não sei se há algum impedimento legal, mas, imaginando que não haja, não é difícil pensar que a Frontiers chegaria para vocês e diria para vocês se juntarem e pegarem um novo baixista, já que Ric Phillips está ocupado no Styx. Não sei se Jonathan e Neal trabalhariam juntos de novo, mas garanto que as pessoas não se importariam. Iriam ver que era um álbum novo do Bad English e iam conferir!
Castronovo: Eu concordo! Eu toparia na hora, mas não sei, há alguma coisa a respeito do Bad English da qual não tenho conhecimento. Nunca me falaram nada.

Eu gostaria de um comentário seu sobre os vocalistas do Journey. É claro que todo mundo só fala em Steve Perry, mas Steve Augeri era muito bom, Arnel (Pineda) está fazendo um grande trabalho, Jeff Scott Soto…
Castronovo: Jeff Scott Soto foi fantástico! Ele fez do jeito dele e foi demais!

De todos eles, com quais você gostou mais de trabalhar? Houve algum que achou que não estava se encaixando? Porque Steve Augeri ficou bastante tempo, mas infelizmente as coisas deram errado no final. Foi legal com ele?
Castronovo: Olha, todos eles trouxeram algo especial ao Journey. Quando Steve Augeri entrou, ele colocou sua marca e deixou as músicas com a cara dele. Fez um grande trabalho, é um ótimo vocalista e uma excelente pessoa. E acho que isso é 90% do que uma banda precisa. A química, a amizade e a irmandade têm que existir. Em minha opinião, não dá para criar e trabalhar em grupo se há animosidades, discórdia e conflitos. Não dá. Então, Steve foi fantástico e Jeff foi muito bem enquanto esteve ali. Tiro meu chapéu para eles. Eu jamais conseguiria fazer isso, de jeito nenhum.

Journey | Foto: Travis Shinn

Eu tive que substituir Steve Smith, o que não é nem um pouco fácil. Tive muita pressão porque Steve é um ícone, uma lenda e para mim o melhor baterista do mundo” – Deen Castronovo

E Arnel levou tudo a outro nível. E a história dele é incrível. Ali estava um cara no YouTube cantando covers do Bon Jovi em casamentos nas Filipinas e, de repente, a hora que a gente se deu conta, ele ressuscitou uma banda!
Castronovo: Sim. Sabe de uma coisa? Quando ele chegou e cantou, era muito humilde. E isso foi o mais importante. E quando ele abriu a boca… Meu Deus, que voz! E com a química lá, essa foi a prova definitiva. Foi perfeito, era o encaixe perfeito. Foi como se Deus o tivesse colocado na nossa frente e dito: “Aqui está o cara que vocês procuram”. E a gente sabia que ele era o cara assim que o conhecemos. O cara mais humilde e gentil do mundo. E quando ele começou a cantar, simplesmente confirmou as expectativas.

Aliás, eu acho que os fãs sabem disso, mas ele sofreu um pouco no começo porque foi de um cara cantando em casamentos para uma coisa enorme de repente e se sentiu meio sobrecarregado de cantar em Las Vegas e Nova York. Ele teve que se olhar no espelho e dizer: “Será que eu quero mesmo essa vida?” E a resposta, graças a Deus, foi sim. Mas ele não tinha certeza no começo.
Castronovo: Sim, pense no tamanho da responsabilidade que você tem que encarar. Eu tive que substituir Steve Smith, o que não é nem um pouco fácil. Então, tive muita pressão porque Steve é um ícone, uma lenda e para mim o melhor baterista do mundo. Ninguém nem se aproxima dele, em minha opinião. Substituí-lo foi intimidador. Agora, pense como foi para Arnel. Deus do céu. E tenho certeza que essa pressão continua com ele até hoje, toda vez que ele toca, porque os fãs podem ser duros, às vezes não são as pessoas mais gentis e foram grosseiros com ele.

É, mas foram grosseiros não por causa dele, mas pela paixão deles pela banda. Quando você é apaixonado por uma, seja Led Zeppelin, Kiss ou Journey… Eu ainda sou parcial a Ace Frehley!
Castronovo: Eu também!

Mas é injusto, porque Bruce Kulick fez um grande trabalho, assim como Vinnie Vincent…
Castronovo: Eu concordo com você. O cara original é o cara original, é difícil de substituí-lo e alguns fãs não aceitam. Não é o Journey deles. E é isso que eles têm feito [não aceitar]. Mas os outros 99% ainda acham que é o Journey, porque as músicas ainda estão lá e são tocadas naturalmente e perfeitamente toda noite. Como você pode criticar algo assim? Para mim, o Journey é maior que os integrantes. Quero dizer, a música é. Não dá para substituir Neal, Jonathan, Ross (Valory, baixista) e foi difícil substituir Perry. Mas o que importa é a música e se você fechar os olhos, ainda é o Journey.

Revolution Saints: Jack Blades, Deen Castronovo e Doug Aldrich | Foto: Johnny Pixel
Revolution Saints: Jack Blades, Deen Castronovo e Doug Aldrich | Foto: Johnny Pixel

Transcrito e traduzido por Carlo Antico.

Rock Talk with Mitch Lafon

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