Baterista relembra momentos da carreira e afirma que o Armored Saint está sempre procurando explorar novos horizontes

Armored Saint | Foto: Stephanie Cabral

Prestes a desembarcar pela primeira vez no Brasil, o Armored Saint integra o seleto grupo de bandas que ousaram praticar heavy metal tradicional nos Estados Unidos. Lutando nos anos 1980 no mercado americano, em um cenário tomado pelo hard rock e o thrash metal, o grupo estreou em 1982 na coletânea “Metal Massacre” (Metal Blade) e depois lançou álbuns marcantes, como “March of the Saint” (1984), “Delirious Nomad” (1985), “Raising Fear” (1987) e “Symbol of Salvation” (1991). Após um período inativo, veio “Revelation” em 2000, mas a banda novamente passou por um hiato. No entanto, John Bush (vocal), Phil Sandoval e Jeff Duncan (guitarras), Joey Vera (baixo) e Gonzo Sandoval (bateria) retomaram as atividades e conseguiram chamar a atenção dos fãs com “La Raza” (2010) e “Win Hands Down” (2015). A seguir, Gonzo Sandoval relembra fatos da carreira e revela que o grupo irá homenagear o saudoso guitarrista David Prichard, falecido em 1990.

O álbum “La Raza” (2010) trouxe um novo hino com “Left Hook from Right Field”, mas e com “Win Hands Down” (2015), quando vocês correram mais riscos e mostraram novas perspectivas para a musicalidade da banda?
Gonzo Sandoval: Penso que “Win Hands Down” é uma das melhores músicas que John (Bush) e Joey (Vera) trouxeram para o Armored Saint e também é um ótimo hino! O Armored Saint ampliou a sua criatividade e musicalidade aos trancos e barrancos, mas está sempre procurando explorar novos horizontes.

Gonzo Sandoval, Joey Vera, John Bush e Dave Prichard, o Armored Saint em 1987 | Foto: divulgação

Neste ano honraremos David Prichard, nosso irmão, companheiro de Armored Saint e amigo, tocando o álbum ‘Symbol of Salvation’ na íntegra – Gonzo Sandoval

Recentemente, vocês tocaram no “Rock Hard Festival”, em Berlim (ALE), e em certo ponto do show, John Bush declarou que o Armored Saint demorou muito tempo para se apresentar na Europa. Ele disse que vocês viam bandas como Metallica, Slayer, Anthrax e Ratt indo para lá, mas a sua gravadora e o agenciamento não ajudaram o Armored Saint a fazer uma promoção correta para fazer turnês por lá. Como foi ver todo mundo, menos o Armored Saint, tocando fora dos EUA? Você se arrependeu de assinar a Chrysalis Records e a Q-Prime Management?
Gonzo: Foi muito doloroso, porque formamos o Armored Saint amando o som das bandas europeias, que nos influenciaram muito. Eu não me arrependo de ter assinado com a gravadora Chrysalis e com o gerenciamento da Q-Prime, porque na época achamos que eles eram os melhores para nós.

Fazendo uma conexão entre a primeira gravação, “Lesson Well Learned”, o que quiseram dizer com o título “Lessons Not Well Learned 1991 – 2001” para o DVD lançado em 2004? Teve a ver com escolhas que fizeram na carreira, como ter Michael James Jackson em vez de Michael Wagener para “March of the Saint” (1984)?
Gonzo: Não foi por causa do problema de escolha do produtor. “Lessons Not Well Learned”, o DVD, levou este título simplesmente com base em um jogo de palavras e, talvez, um pouco para adaptar-se às nossas adversidades.

A morte de David Prichard foi descrita por você como o pior momento que já passou com o Armored Saint. Como foi ver “Symbol of Salvation” (1991) lançado sem ele, que estava na banda desde a compilação da Metal Blade “Metal Massacre II” (1982) com a música “Lesson Well Learned”?
Gonzo: Iremos honrar David Prichard, nosso irmão, companheiro de Armored Saint e amigo, este ano, tocando o álbum “Symbol of Salvation” na íntegra. O disco obteve sucesso e foi uma marca para a música que David e o Armored Saint compuseram. Ficamos felizes em lançar o disco em sua homenagem e, é claro, triste que ele não estava lá para gravá-lo. Quando a “Lesson Well Learned” foi lançada em 1982, David Prichard e Phil Sandoval estavam nas guitarras, Joey Vera no baixo, John Bush no vocal e eu na bateria.

Armored Saint | Foto: divulgação

Na época do glam e thrash, o Armored Saint não se sentia parte de nenhum destes gêneros, mas estávamos ocupados em pavimentar nosso próprio caminho” – Gonzo Sandoval

Você se lembra das festas quando tocavam apenas para amigos? Há um vídeo de vocês tocando “Long Before I Die” na sala da casa de Dave Prichard.
Gonzo: Sim, faz tempo, mas me lembro de invadir a casa de David Prichard e nos instalarmos na sala de estar, empurrando todos os móveis para o lado e detonar completamente. Tocávamos músicas do Armored Saint, como “Long Before I Die” e algumas outras, além de nossos covers favoritos, como “Hell Bent for Leather” (Judas Priest).

Assim como Manowar, Virgin Steele, Helstar, Malice, Riot, Omen, Manilla Road, Vicious Rumors, Jag Panzer, The Rods e até mesmo Savatage, em meados da década de 80 vocês estavam “lutando” em um cenário que privilegiava o hard rock (“glam metal”, “hair metal”) e o thrash metal. Como se sentiu naquela época?
Gonzo: Na época do glam e thrash, o Armored Saint não se sentia parte de nenhum destes gêneros, mas estávamos ocupados demais nos concentrando em pavimentar nosso próprio caminho. Estávamos conscientes da diferença, mas nossas influências incluíam o Kiss, que é teatral, misturando isso com nossas influências pesadas de bandas europeias. Nós seguimos com nosso estilo próprio de heavy metal, que trazia os vocais incríveis de John Bush.

Qual a importância de Brian Slagel (Metal Blade) na sua carreira?
Gonzo: Brian Slagel é extremamente vital para a carreira do Armored Saint, pois ele ajudou a nos lançar no mundo das gravações.

Gonzo Sandoval | Foto: divulgação

O setlist para a América do Sul terá variações e será diferente do que tocamos no Rock Hard Festival. John Bush gosta de variar e misturar tudo” – Gonzo Sandoval

Anthrax e Fates Warning recrutaram membros do Armored Saint em alguns momentos da carreira. Quando a banda não estava ativa, você teve experiências em grupos como MX Machine, Royal Decree e Life After Death. Como foi isso? Por que lançou apenas um álbum com Life After Death?
Gonzo: Trabalhar com pessoas diferentes em uma banda sempre muda a dinâmica e a personalidade, e isso sempre foi interessante em todos os grupos diferentes em que toquei. Sobre o The Life After Death, simplesmente a banda conseguiu um contrato de gravação e pudemos gravar o álbum homônimo.

John Bush e Joey Vera já se apresentaram no Brasil, mas esta será a primeira turnê do Armored Saint na América do Sul. Falando sobre a primeira vez no Brasil, o que estão preparando em termos de setlist? Será o mesmo que fizeram no “Rock Hard Festival”?
Gonzo: O setlist para a América do Sul terá variações e será diferente do que tocamos no Rock Hard Festival. John Bush gosta de variar e misturar tudo.

Para finalizar, se você tivesse dinheiro para comprar apenas um álbum, escolheria um do Black Sabbath ou um do Judas Priest?
Gonzo: Eu compraria os dois, mas o primeiro teria que ser o Judas Priest. Obrigado pelo seu tempo e atenção. Deus abençoe todos vocês! Viva La Raza!

Armored Saint e Hellish War em São Paulo/SP | Imagem: divulgação
Armored Saint e Hellish War em São Paulo/SP | Imagem: divulgação

Show Armored Saint e Hellish War em São Paulo:

Data: 3 de junho (domingo)
Local: Fabrique Club
Endereço: Rua Barra Funda, 1071 (Próximo ao Terminal da Barra Funda e Clash Club)
Abertura da casa: 18h
Show Hellish War: 19h
Show Armored Saint: 20h
Ingressos: Pista Meia (Lote 1): R$ 100 / Pista Promocional (Lote 1): R$ 110 / Pista Inteira (Lote 1): R$ 200, à venda nas lojas Die Hard e Lady Snake na Galeria do Rock
Vendas online: https://bit.ly/2LapeaN
Produção: Abigail Records

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