Alexandre Callari, cinéfilo compulsivo, assiste praticamente a um filme por dia e, de vez em quando, resolve compartilhar a experiência na seção Assistidos e Reassistidos.

Crítica | Ao Cair da Noite (2017) | Rockarama

Ao Cair da Noite
It Comes at Night
Ano: 2017
Diretor: Trey Edward Shults
Com: Joel Edgerton, Christopher Abbot, Riley Keough

Classificação:

Se este filme cometeu um erro foi vender um trailer completamente diferente do produto final. Quem assiste a prévia, acha que verá um filme de zumbis tradicional, contudo, “Ao Cair da Noite” não é nada disso.

Sim, há uma infecção, mas não há qualquer paralelo com a ideia de zumbis, pelo contrário. Sem dar muitos detalhes sobre o roteiro, o foco aqui é o impacto que uma catástrofe (no caso a já citada infecção) tem sobre a vida de uma família. É um problema macro tratado do ponto de vista de um microuniverso, à maneira que Shyamalan fez em “Sinais” – ainda que as semelhanças entre ambos os filmes acabe aí.

O diretor Trey Edwards é incrivelmente habilidoso, e fiquei maluco para conferir seu trabalho anterior, o aclamado “Krisha”. Quando um filme é ambientado majoritariamente num só ambiente, costuma-se criar no espectador a sensação de claustrofobia, mas aqui, as coisas vão além. Aqui, começamos a nos sentir oprimidos.

A forma como o diretor trabalho o uso do silêncio – em contraponto às besteiras de gente como James Wan, que atraem massas e mais massas para seus filmes oferecendo sustos fácies – é de tirar o chapéu. Há muito silêncio, expectativa, introspecção, suspense cheio de vigor e tensão; tudo contado do ponto de vista do jovem Travis, um adolescente de 17 anos pego em meio à crise.

As atuações são ótimas, o uso de sombras é primoroso e a simbologia é vista em várias camadas do roteiro. Certas situações ficam sem explicação, mas não é isso que importa; aqui, Trey se encarrega de nos mostrar a deterioração da dignidade humana, da ética e da moral, do bom-senso e da lógica. É a civilidade sendo devorada pela barbárie, tudo em prol da sobrevivência. Os últimos 15 minutos são um desafio para o espectador, que fica roendo as unhas.

Parte do público torceu o nariz, justamente pela maneira que o filme foi vendido. Eu compreendo, mas, de minha parte, recebo de braços abertos essa tendência que começa a despontar no fastigado cinema norte-maericano, observada em filmes como “A Bruxa”. Tenho muito mais a dizer, mas o texto se alongaria demais. Recomendadíssimo.

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