Longa de Samuel Galli tem história surpreendente e envolvente, mantendo o expectador tenso e curioso até a última cena

Pôster de "Mal Nosso" | Imagem: divulgação

Mal Nosso” é um longa independente brasileiro de horror que tomou um caminho um pouco diferente pois, mesmo sendo uma produção totalmente nacional e financiada por recursos próprios, estreou internacionalmente antes de chegar por aqui, sob o título de “Our Evil“, e ganhou muitos prêmios.

O primeiro longa do diretor e produtor Samuel Galli foi exibido no Marche du Film, em Cannes, e se destacou em países como México, Rússia, Inglaterra, Eslovênia, Holanda, EUA, Irlanda, Austrália e Espanha. Além disso, é aclamado pelos principais sites do gênero, e tudo isso num espaço curtíssimo de tempo desde o lançamento. Tive a oportunidade de conferir o material e, olha, tamanha repercussão e empolgação não é para menos. Tentarei ficar o mais longe possível dos spoilers, pois cada expectador merece experimentar a imprevisibilidade do enredo, numa história repleta de surpresas.

“Mal Nosso” é iniciado com Arthur (Ademir Esteves), um homem misterioso, buscando por um assassino na deep web e encontra os serviços do maníaco Charles (Ricardo Casella). Os dois fazem um acordo e o protagonista apresenta a sua encomenda em detalhes ao contratado. Neste ponto, e até quase a metade do filme, tudo indica que será uma trama de crime e suspense, mas então começam as reviravoltas. Quanto mais descobrimos sobre Arthur, mais temos contato com um forte lado sobrenatural e espiritual. Forte mesmo! Quem gosta de cenas chocantes e tensas, daquelas de grudar na cadeira, pode se preparar.

Charles e Arthur negociam um assassinato | Imagem: divulgação - Kauzare Filmes
Charles e Arthur negociam um assassinato | Imagem: divulgação - Kauzare Filmes

Porém, não é apenas o horror sobrenatural que deixa o filme tenso, pois, desde o primeiro momento, Samuel Galli, sua equipe e as atuações fazem com cada cena seja intrigante e, muitas vezes, angustiante. Os personagens não revelam muito de si até cada desfecho, permitindo que o expectador possua múltiplas interpretações, e mesmo julgamentos, até a verdade aparecer. A história de Arthur é muito interessante e, apesar de “Mal Nosso” ter princípio, meio e fim (não necessariamente nessa ordem), seria passível de ser retomada para eventuais spin-offs.

Sem entrar em detalhes, o desfecho é brilhante. Calcanhar de Aquiles em muitos filmes do gênero atualmente, “Mal Nosso” dá um ponto final de forma fantástica, deixando cada personagem num patamar compatível com o enredo proposto e traz uma mensagem forte e emocionante. E o melhor: as reviravoltas já mencionadas vão até os últimos segundos dos aproximados 90 minutos do trabalho.

Vale também destacar a trilha sonora de Gustavo e Guilherme Garbato (Casa da Sogra Soluções Sonoras), que acertaram em cheio numa trilha sonora estilo ’80s horror synth’ e ainda recrutaram ninguém menos que os finlandeses do The 69 Eyes, com a música ‘Stolen Season’, integrante do clássico álbum “Blessed Be” (2000).

“Mal Nosso” vai do crime ao sobrenatural e o fã de horror encontrará influências de seus filmes favoritos numa dosagem certeira, com uma história cheia de personalidade e com cenas que não poupam nervos. Sem dúvidas essa estreia de Samuel Galli deixa o cineasta com um futuro brilhante pela frente. Ao lado de “O Diabo Mora Aqui” (2015), esse é o melhor filme do horror nacional recente que assisti. Que se torne um clássico.

Pôster de "Mal Nosso" | Imagem: divulgação

Mal Nosso
Mal Nosso/Our Evil
Ano: 2017
Diretor: Samuel Galli
Com: Ademir Esteves, Ricardo Casella, Luara Pepita, Antony Mello

Classificação:

Trailer de Mal Nosso:

The Secret Society 300

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