Sons of Apollo: virtuosismo em casa no Brasil

Novo “supergrupo” vem ao país com integrantes bem conhecidos do público brasileiro

Fotos: Fernando Pires

Sons of Apollo
14/04/2018, Tropical Butantã, São Paulo/SP

Em clima de Copa do Mundo e do frenesi causado pelo álbum da dita competição, não há como não lembrar algo que existia há muitos anos: as figurinhas carimbadas. Muita gente mais nova não deve saber o que é isso, mas é fácil de explicar: tempos atrás, em álbuns relacionados a futebol, as figurinhas dos jogadores mais famosos vinham carimbadas para diferenciá-los dos outros. Ficaram tão famosas que a expressão virou sinônimo para pessoas muito conhecidas.

Várias dessas “figurinhas carimbadas” do público brasileiro fazem parte do Sons of Apollo, que se apresentou no último sábado, 14 de abril, no Tropical Butantã, na capital paulista. O grupo é formado por Jeff Scott Soto (vocal), Ron “Bumblefoot” Thal (guitarra), Billy Sheehan (baixo), Mike Portnoy (bateria) e Derek Sherinian (teclado). Todos rostos muito familiares aos brasileiros em suas outras bandas, seja a carreira solo (Jeff), Guns N’Roses (“Bumblefoot”), Mr. Big (Billy) ou Dream Theater (Derek e Mike).

Sons of Apollo | Foto: Fernando Pires
Sons of Apollo | Foto: Fernando Pires

Quando se juntaram nessa nova empreitada, a expectativa era enorme e foi correspondida com o lançamento do álbum “Psychotic Symphony” em outubro do ano passado. Assim, como era de se esperar, um bom público compareceu ao local da apresentação. Antes do início, o som mecânico agradou aos presentes tocando músicas de artistas que influenciaram os integrantes como Queen, Rainbow e Ozzy.

A noite foi aberta pelo Republica. Formada por Leo Beling (vocal), Luiz Fernando Vieira e Jorge Marinhas (guitarras), Marco Vieira (baixo) e Gabriel Tirani (bateria), a banda divulga seu novo álbum, “Brutal & Beautiful” (2017). E foi nele que focou maior parte da sua apresentação, mas incrementou o set com um cover de “Head Like A Hole”, do Nine Inch Nails.

Jeff Scott Soto | Foto: Fernando Pires
Jeff Scott Soto | Foto: Fernando Pires

Às 22h30, após a introdução com “Intruder” (faixa instrumental do álbum “Diver Down” do Van Halen, de 1982), o Sons of Apollo entrou com tudo em cena com “God of the Sun”, que abre o debut. Logicamente que a habilidade técnica dos músicos, que já é incrível no álbum, ganha ainda mais destaque ao vivo. Era isso que a grande maioria do público presente queria ver!

Logo na segunda, “Signs of the Time”, já deu para perceber algo bem interessante: para quem está acostumado a ver Jeff Scott Soto em suas outras bandas (com músicas muito mais simples, sem “quebradeira” e mais agitadas), é bem diferente assisti-lo usando toda sua experiência, carisma e talento como frontman em uma banda desse estilo. Ficou legal, mas Soto tem que se esforçar bastante. Nesse momento, por exemplo, foi cantar ao lado de Portnoy na bateria, já que este fazia os backing vocals (que estão ótimos, por sinal, como na época do Dream Theater).

Mike Portnoy | Foto: Fernando Pires
Mike Portnoy | Foto: Fernando Pires

Na sequência veio “Divine Addiction” e um cover para “Just Let Me Breathe”, do Dream Theater. O resultado foi muito bom, especialmente se levarmos em conta o quanto as vozes de Soto e James LaBrie são diferentes. Inclusive, a última estrofe foi cantada por “Bumblefoot”. Eu, pessoalmente, acho que músicas como “Burnin’ My Soul”, “You Not Me” e, especialmente baladas como “Hollow Years” e “Anna Lee”, (todas do “Falling Into Infinity”, como “Just Let Me Breathe”) ficariam mais legais.

O Sons of Apollo continuou com “Labyrinth” e um curto solo de baixo de Billy Sheehan. Depois foi a vez de “Lost In Oblivion” e um “solo” vocal de Soto. Ele brincou com a plateia, cantou a parte “a capella” de “The Prophet’s Song” do Queen (música épica de “A Night At the Opera”) e emendou, com “Bumblefoot” na guitarra, com sua versão matadora para “Save Me”, também do Queen. Aí foi a vez do ótimo single “Alive”, quando, em minha opinião, a banda cometeu uma pequena falha.

Seguiram essa com uma versão divertida para o tema de “A Pantera Cor-de-Rosa” de Henry Mancini, mas emendaram com a longa instrumental “Opus Maximus”, um solo de teclado (que não foi curto) e ainda outra bem virtuosa do Dream Theater, “Lines in the Sand”. Sem tirar os méritos musicais evidentes de todos; essa parte ficou um pouco maçante.

Billy Sheehan | Foto: Fernando Pires
Billy Sheehan | Foto: Fernando Pires

O bis foi sensacional. Jeff Scott Soto desceu até o bar, no meio do público, para comprar uma “caipiroska” e de lá mesmo cantou “And The Cradle Will Rock” do Van Halen, enquanto voltava para o palco. Muito legal! A apresentação foi fechada com “Coming Home”, outro destaque positivo do álbum.

No geral, o Sons of Apollo fez um show muito bom, mas, como com qualquer banda numa primeira turnê (mesmo uma formada por músicos de tanto talento e experiência) que precisa aparar algumas (poucas) arestas.

1. Intruder (Van Halen)
2. God of the Sun
3. Signs of the Time
4. Divine Addiction
5. Just Let Me Breathe (Dream Theater)
6. Labyrinth
7. Solo de Billy Sheehan
8. Lost in Oblivion
9. The Prophet’s Song/Save Me (Queen)
10. Alive
11. Tema de A Pantera Cor-de-Rosa (Henry Mancini)
11. Opus Maximus
12. Figaro’s Whore
13. Solo de Derek Sherinian
14. Lines in the Sand (Dream Theater)
15. And the Cradle Will Rock (Van Halen)
16. Coming Home

Ron "Bumblefoot" Thal | Foto: Fernando Pires
Ron "Bumblefoot" Thal | Foto: Fernando Pires
Derek Sherinian | Foto: Fernando Pires
Derek Sherinian | Foto: Fernando Pires
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