Steven Adler: apetite por Guns N’ Roses

Baterista fala sobre livros, família, superação e detalhes sobre o que aconteceu na reunião do Guns N’ Roses

Steven Adler | Foto: Claudia Christo
Steven Adler | Foto: Claudia Christo

Com 52 anos recém-completados, o americano Steven Adler é exemplo de superação. Jovem, teve tudo e pôs tudo a perder, mas se reergueu, graças ao seu talento, força de vontade e o apoio da família. Sua mãe, inclusive, lançou o livro “Sweet Child of Mine: How I Lost My Son to Guns N’ Roses” (Minha Doce Criança: Como Perdi Meu Filho para o Guns N’ Roses, em tradução livre), um relato inspirador e emocionante da primeira e maior fã do músico. Nesta entrevista, além da relação com a mãe e o livro citado, Adler conta tudo sobre o que aconteceu na atual turnê de reunião do Guns N’ Roses e sua participação, ainda que limitada, ao lado de Axl Rose (vocal), Slash (guitarra) e Duff McKagan (baixo). O baterista quer mais, muito mais, assim como os fãs que um dia sonharam com um encontro clássico do quinteto completado pelo guitarrista Izzy Stradlin. Se depender de Steven, sobra apetite.

Você é um dos grandes bateristas dos anos 1980 e 90, claro, mais famoso por “Appetite for Destruction”, do Guns N’ Roses. Como você está fisicamente? Pois ouvimos sobre ataques cardíacos, sobre isso, sobre aquilo… Como estão as coisas, afinal?
Steven Adler: Não acredite em tudo o que ouve, por favor (risos)! Nunca tive ataque cardíaco. O que aconteceu foi que, em 1994, devido a uma complicação por cocaína, tive um ataque vascular. Isso afetou a minha fala, mas logo que comecei o tratamento na reabilitação com o Dr. Drew, ele me indicou um especialista em fonoaudiologia e fui reaprendendo a falar. Eu ainda não estou 100%, mas melhorando a cada dia. Fisicamente, não poderia estar melhor. Nesta manhã, para você ter uma ideia, minha mãe, meu irmão e eu fomos à academia. Tenho malhado e é ótimo começar o dia assim… Tenho seguido o livro “The Fifth Agreement” (“O Quinto Compromisso”), de Miguel Ruiz, que tem como base: seja impecável com as suas palavras, não leve nada para o lado pessoal, não faça suposições, sempre faça o seu melhor, nada mais, nada menos. E o quinto compromisso é: seja cético, mas aprenda a escutar. É um livro tão fácil de entender! Posso dizer que ele salvou a minha vida. Fantástico. E também tem o lado da música: pratico todos os dias porque amo o que faço.

É verdade. Vi vídeos com você tocando “You Could Be Mine”, uma música na qual a versão final de estúdio foi gravada depois da sua saída do Guns N’ Roses, e soa fantástico…
Steven: (N.T.: interrompendo) Eu sou bom (risos)! Mas, sério, no ano passado, fui tocar com os caras na Argentina e bastou uma música (N.T.: “Out Ta Get Me”) para que, no segundo dia, os meus amigos Pablo (Name) e (Daniel) Chino fizessem um show especial no The Roxy Live (Argentina) com músicos fantásticos… O guitarrista era tão bom que não deixaria nada a desejar do Slash. Bem, fui participar com os caras no The Roxy e tocamos horas seguidas, inclusive todas aquelas do “Use Your Illusion” (N.T.: nas quais Adler participou oficialmente apenas em “Civil War”, mas gravou inúmeras demos para os discos), como “Don’t Cry”, “Back Off Bitch”, “You Could Be Mine”, “Knockin’ On Heavens Door”, entre outras. Têm várias no YouTube, todos podem assistir.

Sim, eu já vi esses vídeos.
Steven: No site stevenadlerart.com, você também pode conhecer o projeto “Rhythm-On-Canvas” (N.T.: padrões criados por baquetas de luz e traduzidos em tela), no qual toco cada música do “Appetite for Destruction” e “Civil War”. Fizemos cinquenta prensagens de cada, um item muito interessante para colecionador. No site, tem todas as informações. Serão apenas essas, é edição limitada. Além disso, também tem o meu livro “My Apettite For Desctruction: Sex & Drugs & Guns N’ Roses” e o livro da minha mãe…

Sim, é exatamente por isso que estamos falando dela hoje, o livro “Sweet Child of Mine: How I Lost My Son to Guns N’ Roses“, de Deanna Adler!
Steven: Eu sou doce! (risos).

Fale-nos um pouco sobre as suas reações acerca desta publicação de sua mãe. Ela me contou que, ao longo dos últimos 30 anos, fez anotações, com ideias, pensamentos, elogios, decepções, algo bem pessoal. Como você reagiu quando ela decidiu que publicaria tudo isso?
Steven: Não tive problemas, fiquei feliz! Acho que todos deveriam escrever um livro. Mesmo que não publique, escreva um livro sobre a sua vida. Escrever o meu me fez muito bem, pois foi um grande peso tirado das minhas costas. E não apenas para mim, como também para as pessoas que se identificaram e que disseram que a minha experiência as ajudou a melhorar. Você sabe, passei por muitas coisas. Me orgulho muito pela minha mãe. E, veja, ela anotou tudo. Eu não lembro de nada… Por causa do abuso de drogas e álcool eu mal lembro dos anos 90 (risos).

Você deve ter lido e, por diversas vezes perguntado: “Sério, eu fiz isso?”…
Steven: Claro! Se naquela época existissem celulares com gravadores, eu estaria perdido (risos)! Bem mais para frente na vida, a minha esposa filmava o que eu fazia. No dia seguinte, me contava e eu negava. Ela dizia ‘ah é?!’, mostrava os vídeos e eu não tinha como discutir. E, assim, fui me conscientizando que tinha um problema, que eu precisava lidar com isso de alguma forma. Todos que têm um vício deveriam, no dia seguinte, pensar sobre o que fizeram, pois isso abre muito os olhos.

No livro temos a impressão de que o relacionamento com a sua mãe era difícil e que por algumas vezes… Bem, eu não quero usar o termo “desapontamento”…
Steven: (N.T.: interrompendo) Use, sim!

Bem, digamos que ela passou tempos difíceis com toda a situação. Certa vez, ela comentou comigo que quando você tem um familiar dependente de drogas é como se fosse um pequeno segredo sujo, mas quando a sua família é o Guns N’ Roses e milhões de pessoas sabem disso, é um grande embaraço. Como foi para você saber que colocou a sua mãe nessa situação?
Steven: Eu sinto muito por tê-la passado por isso. Quando você bebe e usa drogas, você não é a mesma pessoa de quando está sóbrio. É claro que fico sentido, mas foi o que foi. Como milhões de pessoas, eu gostaria de saber, naquela época, o que sei agora, com 52 anos. É claro que eu gostaria de ter feito certo, mas a grande realidade é que foi o que foi, e assim aconteceu. Não tenho mais ressentimentos, é caso encerrado. E agora a minha mãe encerrou isso com o livro, com todas as coisas que aconteceram no passado. Depois que pôde colocar os sentimentos para fora, toda aquela angústia, pressão e tristeza foram embora e ela se sentiu bem em seguir adiante. Por isso, digo: todos deveriam fazer isso! Tudo o que importa sobre o passado é o ontem. Hoje é um dia lindo, e não devemos ficar remendando coisas, envergonhados. Prefiro ficar com as lembranças boas, como as do meu avô quando ganhei um primeiro Disco de Platina… Ele era sempre brincalhão. Daí eu disse: “Veja, vô, sou bem-sucedido, famoso”, e ele respondeu: “Certo, me pague um copo de café de 50 centavos” (risos)! Sou grato pelo que nós cinco fizemos. Digo, 99,9% dos músicos não realizam seus sonhos, e fui abençoado por ter conseguido. Estive ao lado de grandes músicos, pessoas fantásticas. Slash e eu crescemos juntos, tínhamos uns 12 ou 13 anos de idade. Era um grande amigo, um cara muito legal.

E continua sendo! Vamos voltar um pouco no tempo, não tanto: no ano passado, julho. Você estava no Cincinnati, Ohio, e participou tocando “Out Ta Get Me” e “My Michelle” ao lado do Guns N’ Roses pela primeira vez desde 1990. Como foram todos os dias que antecederam o evento, com ensaios e tudo mais?
Steven: Eu agradeço a Deus por este bonito presente. Eu fique tocando o “Appetite for Destruction”, “GN’R Lies” e “Use Your Illusion”, acho que umas 25 músicas, praticando duas vezes por dia, por dois anos. Quando fiquei sabendo que isso provavelmente aconteceria, no início do planejamento da reunião, eu tive certeza de que estava pronto. Mas, no segundo ensaio, machuquei as costas e tive que fazer uma pequena cirurgia. Um nervo comprimido na região L4 da espinha. Fiquei bem rapidamente e quis voltar, mas não aconteceu (N.T.: quando aconteceu o primeiro show da reunião, no dia 1º de abril de 2016, no Troubadour, Los Angeles). Fiquei chateado, mas depois me ligaram novamente e rolou. Ainda sorrio com isso! Era um sonho estar novamente em frente a milhares de pessoas com o Slash, Duff e Axl. Foram 26 anos e eu queria muito que isso acontecesse novamente. As pessoas também sempre me cobravam isso, queriam isso, que tocássemos juntos novamente. Foi como se nunca tivéssemos nos separado, para ser sincero. As pessoas pensam que saí do Guns N’ Roses por usar drogas, e isso não é verdade. Todos naquela banda usavam drogas, e eu não era o pior! O que aconteceu foi que Axl queria o controle de tudo, queria ter os nomes, ser a única pessoa a ser paga pelas músicas. Queria ser o empresário, o contador e tudo mais, quando o que tinha que fazer era cantar – e tão bem! Mas ele queria o controle, ser o Elton John ou Billy Joel. Tudo bem, legal, mas não era o Guns N’ Roses… Poderia continuar como antes e fazer álbuns solos como tantos músicos fazem. Mas foi o que ele queria e o que aconteceu. Eu fui o primeiro a sair porque era o mais ‘fácil’, o mais bonzinho. Fui enganado. Quando a minha mãe percebeu o que acontecia, ela colocou um advogado para cuidar de tudo. Mas, como eu disse antes, foi o que foi. Não tenho mais ressentimentos.

Adler na fase Appetite for Destruction | Foto: divulgação
Adler na fase Appetite for Destruction | Foto: divulgação

Voltando um pouco sobre o machucado nas costas, no começo de 2016, em janeiro, ouvimos sobre uma participação no Jimmy Kimmel, ensaios e locais secretos na Califórnia. Quando você estava ensaiando, qual era o entendimento? Tocaria três músicas, dez músicas? Se não machucasse as costas, como seria?
Steven: Eu entendo que tocaria todas que fossem do ‘Appetite for Destruction’, ‘GN’R Lies’ e três ou quatro do ‘Use Your Illusion’, e o Frank (Ferrer), que é um cara maravilhoso, tocaria as do ‘Chinese Democracy’ e mais algumas outras, como covers. Eu começaria o set, ele entraria no meio e eu finalizaria. Eu estaria legal com isso.

A ideia é boa até mesmo pela perspectiva do fã. Frank é um ótimo baterista e um maravilhoso ser humano. Seria legal você fazer a sua era e ele o restante…
Steven: Sim, seria muito legal! Eu estava pronto, eu pratiquei as músicas, como disse, por uns dois anos. Todos os dias! Então, no segundo ensaio, em março, quando alonguei senti algo, depois de mais sete músicas, a coisa continuava azedando. Cheguei em casa umas 20h e, depois da meia-noite, mal conseguia ficar de pé. Foi terrível. Fiquei afastado por umas duas semanas. Depois de uma semana, tomei uma peridural, e depois fiz a cirurgia. Eu estava pronto para os shows do Troubadour, mas Duff me ligou e disse que não ia mais rolar. Eu disse que ele era a pior pessoa do mundo e desliguei. Depois liguei e deixei uma mensagem me desculpando. Quando eu disse aquilo para ele, queria dizer, na verdade, que eu era a pior pessoa do mundo, pois não podia sequer voltar para essa turnê. Mas eu disse para ele. Sabe, quando você tem ressentimentos diz coisas que se misturam, me referi a ele, mas era sobre mim. Me desculpei, mas ele sabe que o amo. Quando nos encontramos e conversamos, pudemos falar sobre isso.

Falando sobre negócios, muitas vezes o fã não entende como são as coisas – inclusive eu, por diversas vezes. Existindo uma turnê e, como no caso, um baterista com um problema nas costas, as coisas podem ficar um pouco tensas com promotores, seguradoras…
Steven: Não foi o caso porque eles já tinham o Frank. Se acontecesse algo que eu não pudesse fazer, Frank estaria lá de qualquer forma. Eles me deram uma oportunidade, na verdade, pois seria mais barato, inclusive, ter apenas o Frank. Não que pagasse muito, mas graças a Deus eu não preciso do dinheiro. Mas o ponto é que eu queria tocar com eles e com os fãs. Frank é um ótimo baterista, mas não toca da mesma forma como o Steven Adler, é diferente, assim como o inverso. Cada um tem o seu estilo e o meu está naqueles discos que todos cresceram ouvindo. A música tem sua marca e é muito peculiar, como a ‘Mr. Brownstone’; não adianta, é diferente quando eu toco. Como eu disse, temos o nosso estilo, até mesmo as do “Use Your Illusion”… Quando você assiste as músicas do The Roxy, na Argentina, são como elas deveriam ser. Mas, como eu digo, tudo é o que é (risos)!

Você fez outros shows com o Guns N’ Roses, como o de Los Angeles, Argentina… O da América do Sul me deixa curioso, pois voou milhares de quilômetros para tocar.
Steve: Sim. Cheguei lá com minha esposa e toda a família, e o Axl disse: ‘O que ele está fazendo aqui, não era pra ser só amanhã?’. Como assim?! Eu viajei milhares de quilômetros! Eram mais músicas, mas depois de apenas uma desligaram a luz. O pessoal da equipe ficou perguntando o que estava acontecendo. Na noite seguinte, novamente apenas uma música. Mas não quero ficar falando disso, a melhor parte foi que minha esposa (Carolina Ferreira) e eu estivemos juntos com a família dela pela primeira vez em dezesseis anos. Eu encontrei a família dela antes, assim como ela, claro, mas nunca estivemos todos juntos. Isso foi demais. Isso e o show do The Roxy. Eu obviamente eu não entendi direito o que estava acontecendo, mas amo o que faço. Amo esses caras.

Não deixemos que as pessoas fiquem com a impressão de que existe alguma animosidade, ou negatividade, pois não creio que seja isso.
Steven: Não, não, por favor, não. Eu amo esses caras. É o que é. O que eu quero é que estejamos juntos, mas o que o Axl quer é o desejo dele. E eu o respeito por isso. Fico feliz por fazer a parte boa da coisa, que é a animação, a diversão… É mágico quando estamos juntos. Até o pior show é legal (risos). É especial, e não poderia me sentir mais abençoado e grato por fazer parte disso. Tenho muito orgulho.

E sobre o seu futuro com a banda? Está encerrada, zero de chance, ou se eles ligarem e convidarem, você participará?
Steven: Se fizerem do jeito certo, com nós cinco… E o Frank. Sim, eu não ligo, desde que eu esteja lá com as minhas músicas. Se chamarem os cinco, estarei lá. Amo esses caras e tenho orgulho do que fizemos. Estamos todos vivos, vamos tocar para os fãs! Deem o que eles querem! Tenho uma vida confortável, não é pelo dinheiro, e isso acontece justamente porque as pessoas amam a nossa música. Esse é o sonho de todo músico, ter a obra amada por muitos. Não por um dia, semana ou ano… São 30 anos! Toda vez que estou no carro e toca uma música nossa na rádio é como “Ok, mais 25 centavos” (risos).

Os royalties! Vejamos por outro lado. Richard Fortus, que está na banda há 15 anos, é um ótimo músico e artista.
Steven: Claro! Richard é fantástico, ele detona! Você já o viu, não? É tão fantástico estar no palco com ele… Porque parece o Izzy [Stradlin]. É quase ele em tudo, dá até pra confundir (risos). Mas não é o Izzy, ele é fantástico. Até brincamos de escrever juntos uma música no backstage, depois do show…

Falando sobre compor músicas, existe a possibilidade de fazer um novo álbum do Adler?
Steven: Não, não, não… Esse tipo de coisa não vende. A menos que já seja uma banda consagrada, isso não faz sentido, é só dor de cabeça… Tocar no mundo inteiro em pequenos clubes e bares. Estou muito cansado desse tipo de coisa. A menos que seja algo muito legal, não vale a pena. É ruim financeiramente e quero tocar para o maior número de pessoas possível. Não me interprete errado, adoro tocar, para uma pessoa, dez, cem, ou o que for, sou sempre grato. Mas quero que seja da forma certa.

Steven com a banda Adler | Foto: divulgação
Steven com a banda Adler | Foto: divulgação

Sim, o esforço certo. Nenhum de nós já está na casa dos 20 e não é fácil ficar rodando num ônibus de turnê pra lá e pra cá.
Steven: Mas a parte do ônibus ainda é legal. O problema é ficar pra lá e pra cá e ganhar 100 pratas, não vale a pena. O show tem que ser real!

Você acredita que, em algum momento, verá os cinco integrantes originais do Guns N’ Roses juntos? Mesmo que por uma música?
Steven: Se os cinco se juntarem, será a maior turnê de reunião da história, a menos que o John Bonham voltasse para a vida, ou o Jimi Hendrix ou Jim Morrison e Ray Manzarek. Seria fantástico, as pessoas ficariam tão felizes, seria um grande evento. Demais, mas, como já disse antes, é o que é.

Sim, um grande evento, como o Rock in Rio, por exemplo!
Steven: Pois é. Em julho, agora, o ‘Appetite for Destruction’ fará 30 anos. Por que não poderíamos fazer, quatro ou cinco shows, com todas as músicas da playlist, do início ao fim, e mais algumas outras? Gravar ao vivo… E se Axl estivesse feliz depois disso, poderíamos fazer mais. Seria legal, mas esta é apenas a minha ideia, e se dependesse de mim aconteceria.

O Axl esta com o AC/DC e o Guns N’ Roses e neste momento está na melhor performance que, provavelmente, nos últimos 15 anos…
Steven: (N.T.: Interrompendo) Axl detona. E tem também as letras… Como uma pessoa consegue colocar os sentimentos e palavras de uma forma tão profunda? Talvez Robert Plant e Steven Tyler, nas épocas áureas, mas Axl é um dos maiores. Eu o amo. Como eu disse, sou orgulhoso pelo que nós cinco fizemos e grato por isso. Eu sempre fui feliz por isso. Não bebo mais, não festejo, e não uso drogas desde 2008, e nunca estive tão feliz. Agora posso perceber o quanto conseguimos com esses caras. Sinto muito orgulho.

A última e única vez que vi você no Guns N’ Roses foi na “Permanent Vacation Tour”, abrindo para o Aerosmith no Saratoga Performing Arts Center, Nova York, em 1988!
Steven: E a última vez que tocamos juntos, naquela época, foi no “Farm Aid” (1990). Se você procurar no YouTube encontrará. E aquela música “Down On The Farm”… Eu nunca ouvi a versão original (U.K. Subs), não fazia ideia do que iríamos tocar ou do que estava acontecendo, mas se você assiste, simplesmente detona. Éramos muito bons. Fazíamos juntos e era demais, mágico.

E a outra música tocada no Farm Aid foi “Civil War”.
Steven: Sim, mas foi antes de gravá-la, então é um pouco diferente da versão final. Na época, estávamos tocando essa música há uma semana e as nossas partes ainda estavam sendo definidas. Mesmo assim, foi mágico.

Guns N' Roses em 1985 | Foto: divulgação - Jack Lue, Michael Ochs
Guns N' Roses em 1985 | Foto: divulgação - Jack Lue, Michael Ochs

Interessante porque a formação original não era sempre prefeita, mas tinha exatamente o que buscavam, com elemento surpresa e uma atmosfera crua, um verdadeiro show.
Steven: É o Rock and Roll. Nós detonávamos e nos divertíamos!

Na noite passada vi um show com um cantor, um baterista com um kit eletrônico e dois caras com teclado. Bem, não eram nem teclados, mas dois computadores Apple que substituíam uma guitarra e um baixo. Como isso pode ser um show de rock?
Steven: Meus Deus! Não, eu odeio isso. Eu pratico todos os dias em todos os lugares. Uso a minha bateria, acredito em mim mesmo, me esforço. Sinto, dessa forma, como conquistar o merecimento de fazer música. Não confio em um computador no qual outras pessoas montaram uma música para tocar. Não. Quero música real, guitarras gritantes, baterias explosivas, baixo forte e um cara com uma voz agressiva, furiosa… Como no Guns N’ Roses (risos).

Retornando ao livro “Sweet Child of Mine: How I Lost My Son to Guns N’ Roses”, sempre tem aquela parte contraditória dos fãs, que falam que o Steven e sua mãe não gostam um do outro, não se falam… Agora vocês estão juntos, fazendo a divulgação do livro.
Steven: Isso é parte do ressentimento deixado de lado. Além do mais, quantos adolescentes se dão bem com os pais? Não muitos. O ser humano é o único animal que se pune por erros, digo, se pune centenas de vezes repetidamente. Os animais, como lobos e coiotes, quando fazem besteira, resolvem aquilo e logo estão de volta. Não é como ficar repetindo o sentimento de um erro por semanas. A minha mãe é uma só, infelizmente um dia vai morrer, e eu não quero cultivar ressentimentos com ela. Quero seguir com a minha vida. Não quero mais viver no passado. Passei por isso durante vinte e cinco anos da minha vida e foi algo muito destrutivo para mim. Sinto muito orgulho da minha mãe.

E também tem o seu irmão, Jamie, que o apoiou muito ao longo dos anos. Ele tem o próprio empresariado, seus artistas. É muito bom ver a família se dando bem.
Steven: É, sim, muito legal. Ele está muito bem, sóbrio há nove anos. Minha mãe, Jamie e eu vamos para a academia toda manhã, depois vamos às compras, passamos no escritório. Assim que é legal. Não quero ressentimentos, quero estar de bem com a minha família. Todos nós cometermos erros. Tudo é o que é. Não podemos viver no passado. Quero viver no céu, não no inferno; quero magia branca, não negra.

Juntando estes dois livros, o seu e o da sua mãe, você consideraria a realização de um filme sobre você, tendo como base estes dois pontos de vista?
Steven: Existem conversas sobre isso, mas não posso revelar muito neste momento, porque estamos em negociações. Quando isso estiver definido, falarei a respeito.

Espero que você faça mais shows, pois seria um desperdício ficar no ostracismo pelos próximos anos.
Steven: Eu farei algo, amo tocar bateria, alguma coisa vai acontecer. Deus trabalha as coisas de uma forma curiosa.

Transcrito e traduzido por Ricardo Campos

Guns N' Roses em sua formação clássica | Foto: divulgação
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